Elipse


O cinema empregou sem modificações a noção de elipse da teoria da literatura. Chama-se "elipse" cada vez que uma narrativa omite certos acontecimentos pertencentes à história contada, "saltando" assim de um acontecimento a outro. É um recurso que exige do espectador imaginação para preencher mentalmente o intervalo entre os acontecimentos e restitua os elos que faltam. Falamos sobre elipse no nosso podcast O Cinema Sallva, ouça abaixo:

Os tipos mais comuns de elipses são as breves, também chamadas de mensuráveis, e as elipses indefinidas. As primeiras atuam em relação a uma continuidade espacial local virtual. Como escrito acima, elas exigem imaginação por parte do público. Já as elipses indefinidas são demarcadas no roteiro e acompanhadas por indicações suplementares como uso de cartelas.

(500) Dias com Ela (2009), dirigido por Marc Webber, é um exemplo de obra que emprega elipses indefinidas. Através cartelas animadas por números, o filme emula de maneira não linear os dias que o protagonista vivencia com uma garota de quem ele gosta. Nos frames acima temos a cena do dia 154, que você pode assistir aqui.

Para muitos cinéfilos 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), com roteiro e direção de Stanley Kubrick, apresenta a maior elipse mensurável da história do cinema: um primata lança o osso para cima e, rodopiando, transforma-se em uma nave no espaço. Essa transição ocorre no minuto 25 das 2h39 de duração que o longa tem. Você pode assistir à cena no nosso Twitter aqui.

São Paulo Sociedade Anônima (1965), escrito e dirigido por Luiz Sergio Person, é caracterizado pela narrativa não-linear e uso de flashbacks. O início do filme, por exemplo, é uma sequência, cujo desdobramento só é mostrado no fim. Há, no entanto, algumas elipses bem empregadas como nesta cena, quando o casal discute, separa-se e depois há um corte com a cidade de São Paulo iluminada e em festa pela corrida de São Silvestre. Desse modo, o filme transmite a passagem de tempo e situa o espectador para os acontecimentos de fim de ano.

Boyhood: Da Infância à Juventude (EUA, 2014), dirigido por Richard Linklater

Boyhood: Da Infância à Juventude, dirigido por Richard Linklater, foi filmado ao longo de 12 anos – um pouco por ano – para captar o real crescimento e envelhecimento dos atores. A obra tem uma elipse de 12 anos na narrativa. O cronograma preciso do filme nunca é completamente mostrado e as passagens de tempo são suaves, o que torna a experiência de assistir oportuna para identificar as transições físicas dos personagens. Nos frames acima, por exemplo, o protagonista completa a idade de 15 anos, que é simbolizada por um novo corte de cabelo. Você pode assistir à sequência aqui.


4 Filmes com Elipses Marcantes

1. São Paulo Sociedade Anônima, Luiz Sergio Person (BRA, 1965)

2. 2001: Uma Odisséia no Espaço, Stanley Kubrick (UK-EUA, 1968)

3. (500) Dias com Ela, Marc Webber (EUA, 2009)

4. Boyhood: Da Infância à Juventude, Richard Linklater (EUA, 2014)

15 visualizações