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Basinger criticou duramente o diretor.


blog O cinema Sallva, abril 2022, Nove e Meia Semanas de Amor (EUA, 1986)

Nove e Meia Semanas de Amor (EUA, 1986), dirigido por Adrian Lyne, foi filmado entre os meses de abril e agosto de 1984, no entanto, apenas dois anos depois foi lançado comercialmente, em fevereiro de 1986.

Demi Moore realizou testes para o papel principal. Ela, que na época tinha 21 anos, não convenceu Lyne a protagonizar Elizabeth, uma mulher divorciada e curadora de galeria de arte, papel que ficou para Kim Basinger. Anos depois, na década de 1990, Moore e Lyne trabalhariam juntos em Proposta Indecente (EUA, 1993).

O diretor utilizou táticas tidas como manipuladoras para extrair de Basinger o desempenho que ele queria. Por exemplo, o diretor não permitiu que ela e Mickey Rourke, que interpretou John, mantivessem contato fora do set. Além disso, Lyne atribuía notas de desempenho de atuação a Rourke, mas nenhuma a Basigner, no afã de contrariá-la. Lyne justificou que, como filmou as sequências linearmente, o plano era mostrar gradativamente o colapso emocional da personagem. Anos depois, Basinger criticou duramente o diretor por essas medidas.

As cenas deletadas do filme totalizam cerca de 14h, pois foram consideradas pelo produtores como "prejudicais psicologicamente para as pessoas". Uma delas era Elizabeth (Basinger) e John (Rourke) assaltando um empresário em um elevador. Ela segura um canivete na garganta da vítima e depois o beija na boca sedutoramente.

A pedido do diretor, Mickey Rourke perdeu 30 kg antes do início das filmagens para interpretar John. Nas cenas mais picantes, dublês de corpo foram usados para substituir Kim Basinger.

Abaixo, eu escolhi quatro cenas de Nove e Meia Semanas de Amor para exemplificar a gramática audiovisual do filme. Há conceitos como decupagem e sequência. As cenas estão disponíveis em meu Twitter.


blog O cinema Sallva, abril 2022, Nove e Meia Semanas de Amor (EUA, 1986)

1) Nesta sequência inaugural de 2'49'' de duração, os créditos de abertura do filme surgem ao som não-diegético da trilha The Best is Yet to Come, por Luba, enquanto vemos a protagonista Elizabeth (Kim Basinger) caminhando pelas ruas de uma metrópole até chegar a Spring Street Gallery, galeria de arte onde trabalha. Sem diálogos, esta sequência valida alguns atributos de Elizabeth como mulher emancipada, independente, trabalhadora e bem-humorada.


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2) Nesta cena de 40'', a decupagem é empregada aqui com apenas três planos. O primeiro, chamado de plano-americano, por enquadrar os personagens do joelho para cima; depois um over the shoulder (OST) de Elizabeth (Basinger) e, por fim, um plano médio de John (Mickey Rourke) com uma echarpe nas mãos. Como a ação parte de John, os movimentos dele em torno de Elizabeth até o abraço final coincidem com o enquadramento do segundo plano (OST).


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3) Nesta cena de 2'06'', a trilha sonora é empregada de maneira diegética, ao contrário da sequência de abertura do filme. Elizabeth está na casa de John. Ele pergunta se ela gosta de música e, então, liga a vitrola e ouvimos Strange Fruit, de Billie Holiday. Nesse momento, tanto os personagens como o espectador ouvem a mesma música, razão pela qual denominamos de trilha sonora diegética.


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4) Nesta sequência de 2'11'', Elizabeth está de frente a um telão. Atrás dela há um retroprojetor de onde imagens de obras de arte são projetadas. A trilha This City Never Sleeps, de Eurythmics, é trabalhada aqui de maneira não-diegética – a exemplo da sequência de abertura do longa – para trazer ritmo à excitação da personagem.


blog O cinema Sallva, abril 2022, Nove e Meia Semanas de Amor (EUA, 1986)

1h57min

roteiro Patricia Lousianna Knop e Zalman King

direção Adrian Lyne

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