Lua de Fel


Lua de Fel (EUA-FRA, 1992), dirigido por Roman Polanski

Roman Polanski reparou sobre a mesa do produtor Alain Sarde um romance em edição de bolso, com uma jovem voluptuosa de costas nua na capa, intitulado Lunes de Fiel, que fora publicado em 1981 por Pascal Bruckner, um prolífico autor, ensaísta e pensador político.Sarde comentou que só recentemente tinha adquirido os direitos de filmagem, mas não tinha planos específicos para ele. Polanski levou o livro para casa, leu-o da noite para o dia, e, na manhã seguinte, telefonou para Sarde dizendo que queria filmar o livro imediatamente. Em uma semana, os produtores Alain Sarde e Timothy Burril concordaram com um modesto orçamento de cinco milhões de dólares para realizar o que agora se chamava Bitter Moon (Lua de Fel, 1992).

Lua de Fel (EUA-FRA, 1992), dirigido por Roman Polanski

O roteiro é fortemente fiel ao romance e gira em torno de um bêbado amargo e literalmente paralítico, Oscar, um escritor americano fracasso, que se gruda a um inglês chamado Nigel num navio de cruzeiro pelo Mediterrâneo e lhe conta a história de sua vida. Escrito em dois meses, o roteiro tem colaboração de Gérard Brach e Jeff Gross, mesmo roteirista de Busca Frenética (Frantic, 1988), filme anterior de Polanski.

Lua de Fel foi alvo de críticos de Polanski, que o acusaram de ter feito um filme pornô grotesco, com um enredo improvável e de mau gosto sobre um garota, não mais do que uma menina, envolvida com um expatriado esquisito, velho o bastante para ser seu pai. Parecia o exemplo mais descarado até agora da alegada tendência do diretor de adaptar acontecimentos pessoais para seus filmes.


Lua de Fel (EUA-FRA, 1992), dirigido por Roman Polanski

Os mesmos críticos não perderam a chance de comparar a impressionante semelhança entre uma cena-chave de Lua de Fel e uma passagem das memórias de Polanski em que ele oferece uma descrição muito detalhada de uma relação de amor com sua primeira mulher. No filme, Oscar observa Mimi sair da cama e ficar parada diante da janela, nua, enquanto uma voz entoa, no estilo de prosa exagerado do protagonista: "Nada jamais chegou a superar o êxtase daquele primeiro despertar. Podia ser Adão com um o gosto da maça fresco ainda em minha boca. Eu olhava para toda a beleza do mundo aperfeiçoada numa única forma feminina." Polanski, contudo, nega consistentemente que houvesse referências autobiográficas em qualquer obra sua.

Lua de Fel (EUA-FRA, 1992), dirigido por Roman Polanski

O papel principal foi ofereceido a James Woods, que recusou ao ficar horrorizado com o roteiro, depois a Jack Nicholson e Michael Douglas, porém Polanski deu o papel a Peter Coyote, de 49 anos. Segundo o livro Polanski: Uma Vida, de Christopher Sandford, depois que Coyote leu o roteiro, Polanski mandou um fax para ele perguntando: "Você sabe a diferença entre erotismo e pornografia? No primeiro, você usa apenas a pena. No segundo, você usa a galinha inteira." Coyote imediatamente mandou um faz perguntando: "E como você chama quando usa o avestruz inteiro?"

Lua de Fel (EUA-FRA, 1992), dirigido por Roman Polanski

Além do desafio de combinar as vidas profissional e doméstica, Polanski também se defrontava com a complicação adicional de dirigir Emmanuelle Seigner, sua esposa, em algumas cenas de amor singularmente potentes. Num chocante e pouco ortodoxo ritual de café da manhã, por exemplo, a personagem de Seigner baba uma boca cheia de leite sobre seus seios nus para o benefício de Coyote, prelúdio de um energético exercício de felação. No nosso podcast O Cinema Sallva falamos sobre o filme, ouça abaixo:

Lua de Fel foi lançado em 12 de julho de 1992. Faturaria cerca de dois milhões de dólares nas bilheterias dos Estados Unidos e acabaria dando um pequeno lucro a seus produtores. Como melodrama pornô soft, a obra acresce por apresentar clássicos temas polanskianos: corrupção moral, violência, voyeurismo, comédia negra, claustrofobia crescente e alguma sátira cultural divertida envolvendo americanos no estrangeiro.

Lua de Fel (EUA-FRA, 1992), dirigido por Roman Polanski

Lua de Fel (EUA-FRA, 1992)

2h19min

roteiro Patrícia Andrade, Gérard Brach, John Brownjohn e Jeff Gross

direção Roman Polanski

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