Jump Cut


Jump cut, também conhecido como salto, é um recurso de edição entre dois planos similares, cuja distância espaçotemporal é quase imperceptível.

Foi a prática do documentário, e também da reportagem televisiva, que levou à utilização dessa forma de jump cut, que consiste em montar dois planos que são, na verdade, fragmentos da mesma tomada de cena, eliminando uma parte dessa tomada e conservando o que vem logo antes e logo depois.

Esse tipo de linguagem foi introduzido no filme de ficção por Acossado (FRA, 1959), de Jean-Luc Godard. Dizem que a primeira edição do filme ficou muito longa e foi pedido para que todas as cenas que retardassem a ação fossem removidas. Então, em vez de excluir cenas inteiras, Godard cortou pequenos pedaços daqui e dali. Isso levou à técnica de jump cut, cujo resultado você pode assistir no nosso Twitter aqui. O jump cut é considerado um dos elementos estilísticos dos "novos cinemas" da década de 1960.

Acossado (FRA, 1961), dirigido por Jean-Luc Godard

Acossado (FRA, 1961), dirigido por Jean-Luc Godard

Acossado (FRA, 1961), dirigido por Jean-Luc Godard

O Cheiro do Ralo (BRA, 2007), dirigido por Heitor Dhalia, é todo filmado com câmera estática. Diversas cenas de transição, em que o protagonista, estrelado por Selton Mello, caminha entre a casa e o trabalho dele, o recurso de jump cut é explorado, no entanto, selecionamos essa cena aqui, quando o protagonista, obcecado pelo cheiro do ralo, quebra o chão com uma marreta.

O Cheiro do Ralo (BRA, 2007), dirigido por Heitor Dhalia

O Cheiro do Ralo (BRA, 2007), dirigido por Heitor Dhalia

O Cheiro do Ralo (BRA, 2007), dirigido por Heitor Dhalia

Em Meu Nome Não é Johnny (BRA, 2008), com direção de Mauro Lima, o salto é utilizado com efeito de transição fade para conotar uma passagem de tempo mais espaçada. Nesta cena aqui, o protagonista, interpretado por Selton Mello, é preso pela polícia e o jump cut é utilizado para reforçar a sensação claustrofóbica dele entre as grades.

Meu Nome Não É Johnny (BRA, 2008), dirigido por Mauro Lima

Meu Nome Não É Johnny (BRA, 2008), dirigido por Mauro Lima

Meu Nome Não É Johnny (BRA, 2008), dirigido por Mauro Lima

Em Cidade de Deus (BRA, 2002), dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, o salto é empregado para narrar "A História da Boca dos Apés". Assim como no filme de Mauro Lima, a câmera é estática e as transições são marcadas por fades, resultando numa narrativa recheada de elipses. Você pode assistir à cena aqui.

Cidade de Deus (BRA, 2002), dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund

Cidade de Deus (BRA, 2002), dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund

Cidade de Deus (BRA, 2002), dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund

Quando estudamos cinema na FAAP, durante os anos 2000, nós experimentamos o recurso de jump cut no nosso primeiro curta-metragem, Evidências, realizado em 2008, com direção de Rafael Jannarelli. O filme tem uma estética noir e flerta com o movimento da nouvelle vague, oriunda na França nos anos 1960.


4 Filmes com Jump Cut

1. Acossado, Jean-Luc Godard (FRA, 1961)

2. Cidade de Deus, Fernando Meirelles e Kátia Lund (BRA, 2002)

3. O Cheiro do Ralo, Heitor Dhalia (BRA, 2007)

4. Meu Nome Não É Johnny, Mauro Lima (BRA, 2008)

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