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Nova Hollywood


blog O cinema Sallva, abril 2021, Nova Hollywood

Hollywood era o destino ideal no começo dos anos 1970 para quem fosse jovem, ambicioso, talentoso e quisesse ingressar no cinema. O buchicho em torno dos filmes atraía a geração baby boomer (aquelas nascidas nos primeiros anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1964) para as escolas de cinema. Todo mundo queria entrar na onda. Andy Warhol, por exemplo, preferia fazer cinema a reproduzir latas de sopa Campbell. Astros de rock como Bob Dylan, Mick Jagger e The Beatles mal podiam esperar para estar na frente e, no caso de Dylan, atrás das câmeras. Foi também uma época em que a cultura do cinema permeava a vida americana como nunca havia acontecido. Ir ao cinema, pensar sobre cinema, falar sobre cinema tornou-se uma verdadeira paixão entre estudantes universitários e outros jovens. Eles se apaixonavam não pelos atores, mas pelo próprio cinema.

De repente exista um movimento – rapidamente batizado de Nova Hollywood pela imprensa – liderado por uma nova geração de diretores. Coletivamente, eles tinham mais poder, prestígio e dinheiro do que nunca. Os diretores da Nova Hollywood assumiram o manto do artista e não hesitavam em desenvolver os estilos pessoais que os distinguiam de outros diretores. A primeira geração trazia homens brancos nascidos do meio para o fim da década de 1930 e incluía Francis Ford Coppola, Stanley Kubrick, Dennis Hopper, Mike Nichols, Woody Allen e Robert Altman. A segunda geração era composta dos primeiros baby boomers, que incluía Martin Scorsese, Steven Spielberg, George Lucas, Brian De Palma e Terrence Malick.

Esses diretores produziram um bloco de filmes arriscados e de alta qualidade, que eram impulsionados por seus personagens e não pela trama. Eles desafiavam as convenções tradicionais de narrativa, a tirania da correção técnica, os tabus da linguagem e do comportamento e os "finais felizes". Eram filmes frequentemente sem heróis, sem romance, sem alguém "por quem torcer". Essas obras mantêm intacto o poder de perturbar. Pense na chocante cena de O Exorcista (EUA, 1973), dirigido por William Friedkin, quando Regan enfia o crucifixo em sua própria genitália.



Nos anos 1930 e 1940, o produtor executivo era a única pessoa que via todo filme do começo ao fim. Os diretores, igualmente assalariados, estavam no set apenas para garantir que os atores ficassem nos lugares certos quando a câmera começasse a rodar. Eles saíam da produção assim que as filmagens terminavam, pois os diretores estavam num escalão abaixo, pouco coisa acima dos roteiristas.

Os cineastas dos anos 1970 pretendiam derrubar os estúdios ou pelo menos torná-los irrelevantes, por meio da democratização do processo de fazer filmes. A Nova Hollywood durou pouco mais que um década, mas, além de nos legar um conjunto de filmes históricos, ensinou muito sobre como Hollywood funciona hoje e por que ela vive num estado permanente de crise e baixa autoestima.


blog O cinema Sallva, abril 2021, Nova Hollywood

Uma das minhas fontes de pesquisa sobre este assunto é o livro Como a Geração Sexo Drogas e Rock'n'Roll Salvou Hollywood, de Peter Biskind. A meu ver, é uma das raras obras do cinema que equilibra pontos de vistas divergentes entre o mercado e a arte; o homem de negócios e o artista.

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