O Rei da Noite


O Rei da Noite (BRA, 1975), dirigido por Hector Babenco

O Rei da Noite (BRA, 1975) é o filme de estreia de Hector Babenco na direção. Estrelado por Paulo José, no papel de Tertuliano (Tezinho), o ator foi premiado por sua atuação no 9º Festival de Cinema de Brasília, em 1976.


Nesta entrevista, o diretor confidencia a necessidade de situar-se no cinema brasileiro da época e esperava inserir-se na cultura nacional através da obra. No entanto, ele mesmo admite que não conseguiu tal feito.

Diante contexto político de ditadura, emergia em Babenco o desejo de fazer um filme que dialogasse com o público. Ele via o cinema brasileiro amordaçado, citando Nelson Pereira dos Santos e Walter Lima Jr, como expoentes de filmes metafóricos, quais o público não se identificava. Logo, o diretor buscou uma linguagem popular para apresentar-se ao mercado brasileiro através do melodrama.

Abaixo nós escolhemos quatro cenas de O Rei da Noite para exemplificar a gramática audiovisual do filme. De nosso abecedário, nós citaremos elipse, montagem paralela e off. As cenas estão disponíveis no nosso TikTok. Acompanhe-nos por lá.

O Rei da Noite (BRA, 1975), dirigido por Hector Babenco

Nesta sequência de 1'34'' de duração, Tezinho (Paulo José) e Aninha (Dorothée Marie Bouvyer) estão apaixonados e correspondem-se por cartas. O recurso de off é empregado aqui em dois momentos:primeiro, quando Aninha entrega uma carta a Tezinho, e depois, quando ele devolve com outra carta.

O Rei da Noite (BRA, 1975), dirigido por Hector Babenco

Esta cena de 46" merece destaque por denominar o título do filme. Tezinho está no bar e avista pela primeira vez Pupe (Marília Pêra). Obstinado por ela, Tezinho proclama-se "Rei da Noite" ao descobrir que Pupe é chamada de "Rainha da Noite".

O Rei da Noite (BRA, 1975), dirigido por Hector Babenco

Nesta cena de 1'28'' Tezinho está no bar a espera de Pupe. Ao chegar, ele a convida para um programa, mas Pupe recusa. Tezinho propõe uma alternativa, Pupe aceita e, feliz da vida, ele pede um conhaque ao garçom enquanto espera por ela. A elipse é estabelecida logo em seguida: vemos Tezinho dormindo em cima de uma mesa com várias taças de bebida e bitucas de cigarro em volta. Corta para um plano aberto, onde vemos que ele está sozinho no bar, enquanto é acordado pelo garçom.

O Rei da Noite (BRA, 1975), dirigido por Hector Babenco

Nesta cena de 1'38'', Sinhá (Márcia Real) deixa sua filha Maria das Dores (Cristina Pereira) a sós com Tezinho. Enquanto ela toca violino, sua mãe vai para outra sala. A montagem paralela é empregada aqui: enquanto Sinhá conversa sozinha com o seu ex-marido, cuja foto está emoldurada ao fundo; Tezinho agarra Maria das Dores, pedindo para que ela não pare de tocar violino. Ou seja, enquanto a mãe aspira um relacionamento carola para a filha, vemos que Tezinho tem outras intenções escondidas.

O Rei da Noite (BRA, 1975), dirigido por Hector Babenco

O Rei da Noite (BRA, 1975)

1h36min

roteiro Orlando Senna

direção Hector Babenco